No final do século XIX e início do século XX, Brasil e China se viram diante do mesmo dilema: como lidar com a chegada das teorias raciais produzidas na Europa, em plena expansão colonial. Ambos os países estavam em transição — o Brasil após a abolição da escravidão e a proclamação da República; a China sob a crise da dinastia Qing, humilhada por derrotas militares e ameaçada por invasões estrangeiras.
| Caricatura do “perigo amarelo”: a Ásia é retratada como monstro que ameaça a Europa, reforçando estereótipos raciais e o medo da supremacia oriental no início do século XX. |
No Brasil, como analisa Lilia Schwarcz em O Espetáculo das Raças, as teorias raciais foram acolhidas e adaptadas com entusiasmo por médicos, juristas e intelectuais. Museus, institutos históricos e faculdades as usaram para justificar hierarquias sociais e projetos políticos.