quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Raça, "ciência" e identidade: como o Brasil e China reagiram diferentemente às teorias raciais

No final do século XIX e início do século XX, Brasil e China se viram diante do mesmo dilema: como lidar com a chegada das teorias raciais produzidas na Europa, em plena expansão colonial. Ambos os países estavam em transição — o Brasil após a abolição da escravidão e a proclamação da República; a China sob a crise da dinastia Qing, humilhada por derrotas militares e ameaçada por invasões estrangeiras.

Caricatura europeia intitulada L’Asie contre l’Europe, que retrata a Ásia como monstro ameaçando o Ocidente, expressão do racismo e do medo orientalista. Estudo contextualizado por Nino Rhamos em perspectiva antropológica comparativa.
Caricatura do “perigo amarelo”: a Ásia é retratada como monstro que ameaça a Europa, reforçando estereótipos raciais e o medo da supremacia oriental no início do século XX.

No Brasil, como analisa Lilia Schwarcz em O Espetáculo das Raças, as teorias raciais foram acolhidas e adaptadas com entusiasmo por médicos, juristas e intelectuais. Museus, institutos históricos e faculdades as usaram para justificar hierarquias sociais e projetos políticos. 

terça-feira, 2 de setembro de 2025

O peso das hierarquias e a leveza de pensar fora da bolha institucional

Nos últimos dias tenho pensado muito sobre como a academia, em vez de estimular a pesquisa, tantas vezes acaba sufocando quem pesquisa.

O ambiente que deveria ampliar horizontes, frequentemente reproduz hierarquias rígidas, jogos de interesse e pressões que lembram mais uma lógica empresarial do que um espaço de produção de conhecimento.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Naturalização no futebol chinês: identidade, nação e o “Sonho Chinês”

Um dos fenômenos mais curiosos do futebol na China foi a naturalização de jogadores estrangeiros para compor a seleção nacional. 

Nino Rhamos especialista em China com mais de 30 anos de interesse pelo país, fala sobre futebol na China.

Embora prática comum em outras partes do mundo, ela é raríssima no futebol chinês, o que explica a grande repercussão dentro e fora do país.

domingo, 31 de agosto de 2025

Xu Xiake: o viajante Ming que virou “santo padroeiro” do turismo na China

Quando se fala em antropologia e viagens, logo pensamos em exploradores europeus dos séculos XIX e XX. Mas a China já tinha, muito antes, um personagem fascinante: Xu Xiake (1587–1641). Viajante e escritor da dinastia Ming, ele se tornou tão importante que, hoje, é celebrado como o santo padroeiro do turismo na China.

Nino Rhamos especialista em China com mais de 30 anos de interesse pelo país, fala sobre o viajante chinês Xu Xiake
Representação de Xu Xiake

Não é pouca coisa: o 19 de maio de 1613, data em que iniciou sua primeira viagem, foi transformado no Dia Nacional do Turismo. Uma homenagem que mostra o impacto de sua obra.

sábado, 30 de agosto de 2025

Fu Xi e Nüwa: mitologia, ordem social e a criação da humanidade na China

Quando falamos em mitologia chinesa, é comum pensar em narrativas cosmogônicas que explicam a origem do universo. Mas, muito antes de Pangu ser registrado como criador do mundo, já havia um casal mítico com papel central: Fu Xi (伏羲) e Nüwa (女娲).

Nino Rhamos especialista em China com mais de 30 anos de interesse pelo país, estuda cultura chinesa e cinema na China.
Representação antiga de Fuxi e Nüwa

Na tradição chinesa, eles são lembrados como irmãos e, em algumas versões, marido e mulher, responsáveis por criar a humanidade e estabelecer as primeiras bases da vida social.

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Alta tecnologia na China: o segredo por trás da busca por crianças desaparecidas

Na China, as ferramentas digitais de busca por pessoas desapareceram dos limites do “cartaz na rua” para se tornarem plataformas integradas entre Estado, empresas e cidadãos. Desde iniciativas pioneiras, como o site Tianwang Disappeared Persons, até grandes programas oficiais como o Reunion System (lançado em 2016 pelo Ministério da Segurança Pública), a prática de usar a internet para encontrar crianças desaparecidas e até reunir famílias inteiras, tem se consolidado como política pública e ação social.


Grandes empresas de tecnologia, como Baidu e Tencent, atuaram lado a lado com órgãos estatais. Sistemas de alerta via WeChat e QQ, funções de geolocalização no Amap e até o uso de blockchain e reconhecimento facial para ampliar a eficácia. Essas plataformas já ajudaram a localizar centenas de crianças e idosos em todo o país.

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