terça-feira, 2 de setembro de 2025

O peso das hierarquias e a leveza de pensar fora da bolha institucional

Nos últimos dias tenho pensado muito sobre como a academia, em vez de estimular a pesquisa, tantas vezes acaba sufocando quem pesquisa.

O ambiente que deveria ampliar horizontes, frequentemente reproduz hierarquias rígidas, jogos de interesse e pressões que lembram mais uma lógica empresarial do que um espaço de produção de conhecimento.

Quantos colegas desistiram, não por falta de talento ou rigor, mas porque lhes foi imposto o sentimento de que pensar como antropólogo ou sociólogo é uma prerrogativa institucional e não um exercício que acompanha a vida, dentro e fora dos muros da universidade?

O resultado é perverso: a pesquisa se torna "propriedade" da academia, e não uma prática humana mais ampla. E assim se perde um imenso potencial criativo e crítico, porque muitos associam rigor à opressão, como se uma postura autoritária fosse sinônimo de ciência bem-feita.

Na prática, sabemos que não é. A qualidade da pesquisa não está na hierarquia ou na intimidação, mas na capacidade de formular boas perguntas, dialogar com o mundo e sustentar um pensamento crítico vivo.

Talvez por isso tanta gente se entusiasme quando ouve falar de espaços alternativos de pesquisa, mais leves, independentes e criativos. É um sinal claro de que o desejo de pesquisar continua vivo, mas não cabe em estruturas que confundem poder com conhecimento.

Nino Rhamos

Nino Rhamos é escritor, músico formado pela Escola de Música Villa Lobos e mestre em antropologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Tem mais de 30 anos de interesse pela China e atualmente esta finalizando o doutorado sobre cinema e etnicidade chinesa na primeira metade do século XX. Também atua desde 2010 com edição de vídeo e, mais recentemente, com consultoria intercultural. No dia a dia, também segue ajudando amigos chineses que querem melhorar o português. Contato pelo formulário na coluda lateral.

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