segunda-feira, 14 de julho de 2025

No coração de Chongqing: cinema e coletividade no SCO Film Festival 2025

Recentemente teve o início do 2025 SCO Film Festival em Chongqing: mais de 1.500 cineastas e delegados de países-membros reunidos para exibir o poder do cinema na China como ponte entre coletivos diversos. 

Como não estou lá, imaginei a praça iluminada pelos projetores e os olhares atentos de jovens, embaixadores e profissionais do setor.

No festival, foram exibidos longas-metragens que exploram temas de pertencimento, identidade e sacrifício, em sintonia com as narrativas nacionais de cada país participante, mas convergindo num roteiro comum: a valorização do 'nós' em contextos distintos.

A China, quando convida outras nações a compartilhar suas histórias, me faz pensar em como esse festival funciona como uma expressão da própria noção de coletividade chinesa. Todos presentes, diplomatas, cineastas independentes, estudantes e a comunidade local, se emocionando diante de cenas que refletem suas diferenças, mas, ao mesmo tempo, elementos universais.

Por outro lado, como pesquisador que também pensa nas relações étnicas, penso sobre até onde as minorias étnicas chinesas aparecem nesses longas.

Será que, ao celebrar o cinema como vetor de cooperação regional, reconhecemos também as vozes internas menos hegemônicas? Quais filmes do festival trazem narrativas de minorias e coletivos periféricos, para entender como esses grupos se situam no grande espetáculo do cinema estatal e transnacional?

Muito provavelmente há filmes étnicos nesse meio, mas como a questão étnica na China é compreendida como dada e não como exceção, nem sempre esses elementos são expostos como pontos atrativos de publicidade.

Sai dessa leitura com a sensação de estar diante de um mapa em movimento. Plateias vindas de diferentes latitudes, constroem uma rede de significados em torno do 'todo'. 

Fica a provocação: como o cinema pode ensinar a dançar no mesmo compasso, mesmo quando as origens são diversas?


Se quiser aprofundar ainda mais sobre emu trabalho, convido você a:

Abraços!

Este texto faz parte da categoria Cinema chinês.
Nino Rhamos

Nino Rhamos é escritor, músico formado pela Escola de Música Villa Lobos e mestre em antropologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Tem mais de 30 anos de interesse pela China e atualmente esta finalizando o doutorado sobre cinema e etnicidade chinesa na primeira metade do século XX. Também atua desde 2010 com edição de vídeo e, mais recentemente, com consultoria intercultural. No dia a dia, também segue ajudando amigos chineses que querem melhorar o português. Contato pelo formulário na coluda lateral.

✍️ Está se preparando para provas ou quer melhorar sua escrita? Conheça o curso Faculdade da Redação — um passo a passo direto com foco nas redações mais exigentes do país.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

As mais lidas da última semana